Poéticas Urbanas foi contemplado como projeto especial apoiado pelo Fundo de Arte e Cultura da Sec. de Cultura do GDF e prevê: oficinas gratuitas de poesia falada nos bairros do Distrito Federal; publicação do livro Entreaberta composto por textos do blog de Patrícia Del Rey; e estudos de performances feitos pela companhia para transformar em imagens o universo existente nos textos da atriz , que em sua maioria falam da cidade Brasília e da figura feminina.

Este estudo foi ensaido nas quadras do Plano Piloto em busca de intimidade com o concreto, com as janelas e com os passantes. O trabalho ainda em processo, são poesias vertidas em pequenas cenas de transição em uma linguagem mista de teatro e performance.
Não contaremos uma estória, contaremos passos pelas ruas da cidade.

FICHA TÉCNICA:


Concepção: Andaime Cia de Teatro
Direção: Tatiana Bittar e Márcio Menezes
Intérpretes: Ana Luiza Bellacosta, Kamala Ramers, Larissa Mauro, Márcio Menezes, Patrícia Del Rey e Tatiana Bittar
Músicos: Lucas Ferrari e Marília Carvalho
Vídeo Projeção: Hieronimus do Vale

Luz: Zizi Antunes
Direção de Arte: Roustang Carrilho
Design Gráfico: Maíra Zannon Ilha Design
Fotos: Diego Bresani
Assessoria de Imprensa: Bruno Mendonça
Produção: Andaime Cia de Teatro e Tainá Lacerda
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terça-feira, 12 de julho de 2011

A equação

Memórias, restos, passagens. A cidade nos habita, a cidade modifica. Mapas infinitos, redesenhados. Outras imagens, que se sobrepõem às anteriores, que trepam com as posteriores, que amam as subseqüentes. Somos peças de andaime confundindo os contornos e os traços. Há um deserto formado por vias expressas, monumentos brancos e ipês amarelos. A velocidade diminui a superfície de contato. Sou extrato desse cimento que modifica e empedra os pedaços de alma.

Engarrafada, enfeitada de luzes, a cidade veste seu colar de brilhantes e rubis. A fumaça dança sobre o meu corpo costurado. Aperto um, dois, três...fogo! Há apenas uma fila muda. Os sinais alternam suas cores e alimentam os penosos pardais. Eles medem os passos, sugam o desejo e tiram fotografias. Todas essas setas confundem os meus caminhos. E encaminho as minhas dores por email. Cadê você que não responde minhas letras?

Carros parados, ônibus lotados e pés descalços. A chuva benze todas as peles secas. Da poeta marginal ao engravatado. Os urbanóides procriam expectativas, agarram ilusões e insistem em misturar água e óleo. Meus vôos exigem pousos. Não posso caminhar nesse asfalto quente. Preciso que algo me impulsione para longe do eixo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Prazo de Validade


Sabia que ia ser rápido, afinal você era daqueles amores perecíveis. Tipo orgânico: alto e tesudo. O ultimo pedaço do bolo de chocolate. Esses que devem ser consumidos logo que se abre a embalagem, porque senão vem outra e come. Eu comecei pelas beiradas, lambendo a cobertura com gosto. Devorando aos poucos, sem muita pressa e saboreando tua boca carnuda. Parte por parte da minha refeição favorita: homens como você. Acho que foram umas 7 ou 8 mordidas em noites espaçadas, ou seja, pouco tempo pra ficar de barriga cheia. Talvez tenha sido esse o meu problema, o meu enorme apetite. Quis te comer aos poucos, um pedaço por dia. Mas o teu prazo de validade era curto.  Muito curto. Você gosta de ser devorado por bocas diferentes diariamente, já eu gosto sempre do mesmo prato. Então foi isso, um dia virei pro lado e outro gato safado já tava comendo o meu pedaço de bolo. 

Aqui as flores nascem do concreto.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Canalha


“Beijei um canalha!” - ela disse de olhos fechados a si mesma no meio da madrugada. Nem nomes, nem poemas, nem perfumes. Apenas um corpo desconhecido e descabelado que introduzia sem pudor aquele gosto específico nos seus lábios secos. O sabor característico de uma espécie rara, quase extinta no mundo atual. o gosto de um canalha perfeito. Digo desses autênticos. Rodriguianos. Tradicionais. Escorregadios. Com a voz rouca, cara de carente e as mãos macias. Um canalha de marca maior... Num primeiro momento, além de surpresa com a descoberta, ela ficou extremamente excitada com a possibilidade de ser transportada para um novo lugar. ou melhor, um antigo lugar. Um lugar preto e branco. Nouvelle Vague com banquinhos e música francesa ao fundo. Não que ela fosse romântica, ainda mais com ícone desses ao lado, é que só conseguia imaginar tipos como esses nos filmes antigos.“Não é que canalhas existem?” pensou enquanto esboçava um semi-sorriso de canto de boca. Não que ela fosse masoquista ou maluca. Pelo contrário, a constatação de que havia beijado o tal moço fazia dela a mulher mais feliz do mundo naquela pista suada de sábado. Era como se ela tivesse dançando abraçada com a verdadeira identidade secreta masculina. O estereótipo que tinha sido alertada tantas vezes pela sua avó, pela vizinha fofoqueira, pelas revistas clichês. Ali, ao alcance das tuas mãos, um canalha! Bingo! Enfim, resposta certa! Nada mais de conversas doces, presentes doados ou um futuro delicadamente planejado. Mesmo porque, para os canalhas, o futuro não existe. O que existe é essa festa lotada, cheia de bocas e bundas, essa música gritando, a cerveja gelada no corpo quente. E cá pra nós, um homem desses não engana ou assusta as mulheres. Talvez garotas. Mas não mulheres. “Eu tenho medo dos cordeiros, e não do lobo mau.”, ela repetia nos dias de caçada. E o que é um canalha, senão um belo lobo mau? Ele escancara tua fome, pede cafuné e te garante uma noite deliciosa se você permitir. “Sim... Mil vezes sim...”; sussurrava ao pé do ouvido transformando seu canalha em presa. A música continuava alta, os corpos cansados dançavam e ela engolia lentamente seu par fora de moda. Carona, casa, quarto, cama, corpo, cansaço, canalha. “Qual era mesmo o nome dele? ”- ela tentava se lembrar, no dia seguinte, esbarrando com o sorriso apaixonado do moço ao lado, que insistia em dar mais um beijo depois de uma noite quente na cidade gelada. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Vó Alaranjada

Ela tem um gênio do cão. Um gênio do cão e um tumor no cérebro. Um tumor do tamanho de uma laranja foi o que o médico disse nessa terça feira de manhã. o mais estranho é que desde pequena, eu conheci laranjas de todos os tamanhos. E pra ser bem sincera, isso me dá um pouco de medo. um pouco não, muito medo. Na verdade, me parece invasivo demais, pensar que alguém resolveu, de uma hora pra outra, abrir a cabeça dela para colher uma simples fruta. Será que a laranja já está madura pra ser arrancada do pé? Será que ela não vai sentir falta daquela companhia secreta? Será que os pensamentos ainda vão ter o gosto cítrico? Ela sempre foi a minha cara. Quer dizer, eu que sempre fui a cara dela. todo mundo fala. o jeito de andar, de escrever, de levar a vida. Desde pequena, minha mãe já falava. Não sei se foi por isso, ou pelo acaso do destino, que me deram o mesmo nome que o dela: Lúcia. Significa luz. Mas não uma luz qualquer. Lúcia é uma luz bonita, mesclada, suave e forte ao mesmo tempo. A luz ideal. Pele morena, cabelos com cachos grisalhos e um sorriso apaixonado. Lembro das nossas tardes. Ela contando dos amores que teve, de como conheceu “ele” no festival de cinema da década de 50, de como era difícil uma mulher trabalhar fora naquele tempo. Nós temos os mesmos signos, só que ao inverso. Ela é libra ascendente peixe,
e eu peixes ascendente libra. Ah, e lógico. Ela agora tem uma laranja a mais também. uma laranja que vai ser retirada do pomar daqui a duas semanas. Eu ainda não tenho laranja, nem morango, nem maracujá. Só tenho meu amor por ela mesmo. Quando eu era pequena, a coisa que eu mais desejava na minha vida era correr para os braços e para a casa dela. Lá tudo era permitido! Tinha gato, cachorro, papagaio. A gente podia ser o que quisesse, brincar do que quisesse, se vestir do que quisesse. Só não podia comer o que quisesse A comida de lá, era ruim. Ela me obrigava tomar sopas horrorosas. Eu fingia que tomava, joga fora, sofria na hora da mesa... Mas mesmo assim, valia à pena agüentar a sopa pra ficar do seu lado. De noite, subíamos para o terraço e olhávamos as estrelas, e ela contava de quando quase foi abduzida por um disco voador. Acho que é por isso que eu morro de vontade de ser abduzida até hoje. Depois, quando íamos dormir, ela limpava os nossos pés com um paninho molhado. E o melhor, ela sempre me deixava dormir com um gato. Minha mãe odiava gatos, dizia que eu tinha alergia, mas nunca tive isso quando dormia com o gato na cama dela. Acho que a cama da minha vó era antialérgica. Acho que a cama dela era antialérgica. Bom, depois o tempo passou. E veio a adolescência, e eu continuava a correr para os braços dela. Ela fazia cada fantasia de carnaval! Cada ano, um bloco diferente. Melindrosas, diabas, onçinhas. Nem todos os confetes do mundo, poderiam expressar a minha alegria de passar o carnaval com ela. Ai depois, o tempo passou de novo. Uma adulta que se especializou em correr para os braços dela. Quando eu chego perto dela, tenho vontade de ficar abraçada o dia inteiro. De falar de teatro, de sonhos, de astrologia. De ver como ela é moderna mesmo tendo nascido nos anos 30. “Moderna demais”- a minha mãe fala. E agora essa: inventar de criar laranja na cabeça. Vê se pode? Mas tudo bem. Nada de ruim acontece com ela. Nem comigo. Somos Lúcia. E Lúcia significa luz. Quer saber? Eu tenho certeza que daqui a duas semanas, estaremos todos tomando suco de laranja em pleno carnaval, bem do jeito que ela gosta. 

domingo, 1 de maio de 2011

Cimento Urbano

Toque: ato ou efeito de tocar; contacto; pancada; percussão; som; ato de tocar instrumentos; som que determina a execução de operações ou manobras militares; sabor ou cheiro especial de certos vinhos; vestígio; inspiração; esmero num trabalho artístico; aperto de mão como cumprimento; mancha que constitui indício de apodrecimento na fruta.

É triste. O tempo escoou esse substantivo masculino. Não sei se saiu de moda ou se foi deletado sem querer. O certo é que cada vez mais estamos imbuídos em uma solidão eterna. Nós vivemos no mundo embalado a vácuo. Eu não sei tocar, não sei ser tocada. Parece estranho olhando de fora. Porém é mais normal do que se imagina. Enquanto a visão sobra no mercado, o tato desapareceu das prateleiras. Talvez seja culpa do medo em excesso. Da falta de tempo. De apresso. Toque. Rasgos. Mãos. O contato é sempre contagioso e há muitas peles doentes.

Há algum tempo, olhando pelo espelho, descobri uma mancha cinza no meio das minhas costas. Era o começo dessa tal praga. De forma rápida, a mancha se espalhou pelo corpo e a pele ficou assim: coberta de cimento urbano. E não há chuva que consiga penetrar o concreto. A cara feia, o bico mimado. Somos cobertos de um egoísmo medroso que envergonha própria espécie.

Fechada - mesmo com a fachada aberta – nós trancamos em ilusões momentâneas. E como se os toques não passassem de pequenos espasmos em corpos efêmeros e desconhecidos. Sozinhos, seguimos nos nossos carros poluentes pelas ruas largas da cidade planejada.

Será que esse era o plano? Uma cidade rodeada de monumentos brancos, o tempo seco e espaço. Muito espaço. Brasília expande o espaço entre os corpos. É preciso sair, é preciso dançar, é preciso chegar perto. Ou você se força a reagir ou amplitude te afoga. Temos que martelar o concreto. Se livrar dessa epidemia contemporânea e tocar.  

Som das palavras soltas. Saborear o gosto de uma erva dividida. Cheirar a visita efêmera da chuva. E principalmente dialogar com as mãos. Cuidar para que elas não esmaguem. Para que elas não deixem escorrer. Arrancar a casca. A minha, a sua, a vossa. E se atirar de novo. Outra vez. E mais uma vez. E outra. E ter coragem. Ser Vinicius. Aceitar o vício. E abrir as pernas. E gritar de vez em quando.

Essa é a minha tentativa poética de medicamento. Temos que agir rápido porque a doença está se alastrando. É preciso colorir essas peles acinzentadas. Eu ainda não sei remover a minha mancha. Nem dissolver o concreto. Mas acredito no poder das minhas mãos. E das suas também. 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Subtexto

Poderia morrer essa madrugada, estraçalhada no concreto. Ou submersa no Lago Paranoá. Virar comida de peixe, lenda urbana, pedaços de seca. Conseguir me espalhar por todos os monumentos brancos, dores pingadas de um lamento. Rabiscar essa espera infinita e fazer um quadro abstrato com cores frias. Não passar pelo caminho da tua casa, não sentir a lembrança estampada no meu rosto marcado. Ser um pequeno azulejo quebrado do parque da cidade. E cessar qualquer esperança chula de uma felicidade mofada. 

É tarde para recomeço ou suicídios. Você invade as minhas palavras. Presa entre as letras, a mulher que não sou. A dor que escondo, o filho abortado. Há pedaços em todas as cidades que se deve partir. Não se preocupe. A tua outra parte, segura e pré-estabelecida, cuidará das tuas tempestades.

E quanto a mim, lembrança tola, sou cidade esquecida.

Take 1

(...) pingou a última gota do teu perfume favorito entre seios e beijou o espelho de uma forma egoísta antes de sair do banheiro. Vestido preto balonê de tafetá, cabelos cuidadosamente bagunçados. Nos olhos, a mistura borrada exata entre rímel e as noites mal dormidas. Tinha um visual desgastado encantador. Parecia à beira de um abismo mesmo quando sorria. A dor que impregnava sua pele a tornava ainda mais bonita. O que seria da mulher sem uma dor? Passou pela sala, desligou o som que tocava a mesma música de ontem. Caçou inutilmente a chave do carro. Revirou algumas bolsas, encontrou 10 reais e colocou em sua carteira vazia. Talvez fosse o momento de procurar um emprego fixo. Tomou um gole no gargalo da garrafa de Vodka e assaltou a chave-reserva em cima da estante. Desceu a escada apressada, entrou no carro bagunçado e acendeu um cigarro como companhia. Tragou e assoprou com as mesmas ilusões banais. Lembrou de alguém que já devia ter esquecido. Errou duas vezes o caminho antes de chegar ao lugar marcado. Teve ódio de si. Suspirou fundo, olhou pra frente e voltou a dirigir de forma descuidada pelas ruas largas da cidade. (...) 

segunda-feira, 28 de março de 2011

Água Nova

Depois de secos meses, ela decide benzer as linhas da cidade. O cheiro de terra molhada invade o asfalto amplo e fica mais fácil sorrir sem motivo. É como se a preguiça convidasse o nosso corpo cansado da aridez quase-eterna para dar uma voltinha no parque. Trilha sonora leve, brisa calma. O céu antes colorido fica cinza - cinza-azulado – e de repente, a noite visita o dia. É mágico ver o sol ceder espaço imediato para nossa escuridão urbana. Ai, ela vem e me abraça. Deságua desejos. Traz a certeza que o fim é sempre começo de algo novo. Limpa, invade o peito, encharca os olhos. A chuva molha todas as frestas. Me acalma a pele. Suavemente eu me dissolvo e sou levada pelo destino incerto das lágrimas celestes. Os traços da cidade ficam borrados. Pessoas intocadas buscam o toque urgentemente. E o meu confortável edredom preto me abraça. Espaço duplo para um corpo só. Mas a moça se exibe e dança sobre os meus antigos vidros embaçados. Ela lava minha alma. Sou água nova sobre a cidade cimento.


Água Nova (Modificado) 

Depois de secos meses, ela decide benzer as linhas da cidade. O cheiro de terra molhada invade o asfalto amplo e fica mais fácil sorrir sem motivo. É como se a preguiça convidasse o nosso corpo cansado da aridez quase-eterna para dar uma voltinha no parque. Trilha sonora leve, brisa calma. O céu antes colorido fica cinza - cinza-azulado – e de repente, a noite visita o dia. É mágico ver o sol ceder espaço imediato para nossa escuridão urbana. Ai, ela vem e me abraça. Deságua desejos. Traz a certeza que o fim é sempre começo de algo novo. Limpa, invade o peito, encharca os olhos. A chuva molha todas as frestas. Me acalma a pele. Suavemente eu me dissolvo e sou levada pelo destino incerto das lágrimas celestes. Os traços da cidade ficam borrados. Pessoas intocadas buscam o toque urgentemente. E o meu confortável edredom preto me abraça. Espaço duplo para um corpo só. Mas a moça se exibe e dança sobre os meus antigos vidros embaçados. Ela lava minha alma. Sou água nova sobre a cidade cimento.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Vide Bula

É recomendado pros fortes. E também para os que precisam perder o medo de altura. Aos que tiveram problemas no coração, mas fizeram a gentileza de esquecê-los num lugar do passado. Para os que gostam de poesia, pipoca e pornografia. Aos católicos, ateus, judeus, budistas e evangélicos. Para as virgens, pras putas. Brancos, amarelos, negros e verdes com bolinhas roxas. Aqueles que sofrem da ausência de brisa e excesso de tempestades. Ideal pra qualquer pessoa. Combate a problemas de auto-estima. Apatia. Frieira. Apagador de mágoas. Criador de sonhos. Remédio infalível em caso de tédio profundo ou intoxicação por excesso de lágrimas em madrugadas frias. Perfeito pra solidão de domingo e festas chatas de sábado. Droga muito rara - difícil de ser encontrada. Deve ser dosada ao gosto do paciente: para uns, o vidro todo num gole só. Pra outros, pequenas doses diárias ao entardecer. O medicamento reage rápido.  Costuma dar uma vontade enorme de andar de mãos dadas, de inventar apelidos clichês e fazer programas de índio. Efeito lisérgico. Cara de bobo. Felicidade instantânea. Acarreta um estado de insanidade temporária. Felicidade Instantânea. É recomendado durante o tratamento, o ato de dormir de conchinha todos os dias e aproveitar cada segundo perdido. Não se sabe ao certo quanto tempo a droga dura e qual o nível seguro de sua absorção. Em caso de dúvida, saboreie. Sorria. Vai saber quando você encontrará outro frasco desse perdido na farmácia?